No dia 03 de julho os alunos da Academia de Ciência tiveram o privilégio de conversar com o prof. José Goldemberg.  Natural do Rio Grande do Sul realizou seus estudos em colégio público e depois foi estudar Química na USP porque queria entender os átomos. Na época o assunto atômico estava em alta devido às bombas lançadas no Japão. Porém, ele percebeu que para entender os átomos teria que estudar Física.  Neste momento do encontro o professor alertou os alunos que é natural refazermos as escolhas profissionais. Após 20 anos estudando física nuclear e sem ver sentido no programa atômico que o Brasil queria fazer, Goldemberg se especializou em energia. Exerceu  a função de secretário de Ciência e Tecnologia, secretário do Meio Ambiente, diretor da empresa de energia de São Paulo e reitor da USP. O professor é o único brasileiro que ganhou o Prêmio Azul, prêmio por se destacar nas pesquisas e contribuir para a formulação de políticas públicas de uso racional de energia.

Os alunos da Academia fizeram um estudo prévio sobre questões energéticas nacionais e internacionais e surpreenderam o professor durante o encontro.

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Goldemberg explicou que atualmente a maioria da energia consumida no mundo se origina no carvão,  petróleo e gás e alertou sobre o perigo de todo este CO2 liberado na atmosfera, uma vez que ele é  um isolante térmico. Toda a população do século XX se desenvolveu usando combustíveis fósseis e segundo os geógrafos eles vão acabar em 200 anos. Quais seriam as alternativas?

Os alunos levantaram questões relativas a leis ambientais, atuação política no Meio Ambiente, alternativa energética e comportamento de consumo/energia.

O professor lembrou que até  1950 não havia legislação que regulasse a poluição. No Brasil a CETESB, Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental, se inspirou nas leis americanas para fazer as normas do país nesse quesito. Na  época os economistas argumentaram que essas leis iriam  destruir a economia local e as indústrias automobilísticas se negaram a colocar catalisadores nos carros alegando que o preço iria  aumentar e a  produtividade diminuir. O comportamento reativo das indústrias alegando que as leis ambientais atrapalham a competitividade também dificultou a atuação do professor na esfera política.

É interessante observar que nosso país não considera o CO2 um poluente e que mesmo diminuindo o desmatamento na Amazônia ainda temos o altíssimo número de 5.000 km2/ano desmatados, o que é muito predatório.

O potencial elétrico no Brasil é de 250 bilhões de kwz e atualmente estão sendo explorados 80 bilhões. O Sudeste já foi todo explorado, a Amazônia  por ser muito plana tem o declive  pequeno para fazer girar as turbinas. Então, é preciso  muita barragem, inclusive para guardar a água, já que a região fica  6 meses sem chuva. Levantamos a questão de Belo Monte. Na hidrelétrica o que faz as turbinas girarem não é a queda de água e sim as correntezas. O governo optou por fazer uma hidrelétrica que funcionasse a fio de água  e uma vez que opere apenas 6  meses do ano, seu custo dobra. Do ponto de vista econômico seria melhor ter uma barragem e do ponto de vista social e econômico esse projeto nunca deveria ser concretizado.

Os alunos terminaram o encontro muito satisfeitos e  gratos por conhecer o prof. Goldemberg e pelo ótimo encontro. Ficaram mais instigados em continuar estudando e realizando Ciências para contribuir com soluções ambientais inteligentes.

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